Hidradenite supurativa, conhecida como hidrosadenite, passou a ser melhor conhecida nas últimas décadas

A hidradenite supurativa, também conhecida como hidrosadenite, é uma doença relativamente incomum que passou a ser melhor conhecida nas últimas décadas. Como muitos conceitos superados e equivocados ainda são difundidos, farei uma breve e resumida explicação e, mais adiante, detalho com algumas “perguntas e respostas”.

A melhor definição para a hidradenite é que se trata de uma doença auto-inflamatória (é um conceito relativamente novo, que engloba também as doenças inflamatórias intestinais – doença de Crohn e retrocolite ulcerativa) da pele que acomete preferencialmente as áreas ricas em glândulas apócrinas que se caracteriza por nódulos e fístulas que frequentemente inflamam e drenam secreção com pus ou sangue.

Antigamente se acreditava que fosse uma doença infecciosa, estudos recentes mostram com clareza que uma disfunção da resposta inflamatória do indivíduo é o elemento mais importante na sua gênese. Drogas modernas direcionadas à moléculas-alvo da cascata inflamatória, como o adalimumab, tem sido de grande eficácia no controle da doença, especialmente dos casos inoperáveis. Entretanto, os antibióticos continuam sendo uma ferramenta importantíssima no manejo da doença, evidenciando que as bactérias tem um papel na doença, embora não causal. É provável que infecções diversas sejam o gatilho para a disfunção auto-inflamatória da hidradenite, permitindo que a doença progrida e se expanda regionalmente.

A doença usualmente se inicia na puberdade ou no início da idade adulta, sendo raros casos na infância ou após os 40 anos. Em geral, a história é a do surgimento de uma lesão inflamatória que costuma ser diagnosticada como “furúnculo”, “pelo encravado” ou “cisto”, localizado nas axilas ou no períneo. Tais lesões tendem a reaparecer no mesmo lugar, o que já deve fortemente alertar para o diagnóstico de hidradenite. A progressão natural da doença é com o aparecimento de novas lesões na proximidade e em outras áreas, que drenam material purulento ou sanguinolento, além de nódulos inflamatórios. As áreas mais frequentes são axilas, virilhas, região genital, perianal, perineal, coxas, glúteos e mamas. Casos raros podem ter lesões disseminadas, inclusive na face. A associação com acne, cisto pilonidal e doenças inflamatórias intestinais ocorre acima do esperado.

A sintomatologia é extremamente variável. Muitos pacientes apresentam dores importantes quando as lesões estão inflamadas, que podem prejudicar enormemente as atividades diárias. Outros não tem praticamente nenhuma dor, mas sofrem bastante com a drenagem frequente das lesões, que acarretam importante constrangimento social. Menos frequentemente, a coceira pode representar um problema, podendo ser decorrente da doença propriamente ou de dermatite seborreica ou candidíase associada. Como a hidradenite é uma das doenças da pele que tem mais impacto na qualidade de vida dos pacientes, esta deve sempre ser valorizada e tratada.— 

Dr. Flávio Luz

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